Fazia mais de uma hora que Penélope estava naquela taverna. Ela estava cansada de ficar no navio servindo de babá aos marujos novos, ensinando como içar a vela, como fazer nós decentes e como usar uma espada. Agora, que tipo de capitão deixa marujos tão inexperientes entrarem em sua tripulação? Se não arranjassem piratas novos e que conheciam pelo menos o básico de velejar, Katherine Voncova ficaria para sempre com o posto de melhor e maior tripulação.
Lopie pediu uma garrafa de cerveja e bebeu direto da garrafa, não era algo que uma dama faria, mas desde quando ela era uma dama? Nem mesmo quando era uma mera camponesa ela se comportava como uma.
Levou a garrafa a sua boca novamente e bebeu o álcool enquanto passeava com os olhos pelo local. Gritaria, brigas, dança, bebedeira, música e muitos piratas. Observou cada pirata que estava lá, até o olhar cair em cima de um homem sentado perto do bar, bebia conhaque e parecia estar fazendo o mesmo que ela, observando as pessoas ali. Era lindo. Os cabelos negros faziam contraste com a pele pálida, porém não conseguia enxergar os olhos devido os fios de cabelo os quais cobriam parte do rosto.
Com o olhar perdido no homem, Penélope nem percebeu que ele aproximava-se. Com a aproximação, ela pode ver a cor dos seus olhos. Era de um preto tão profundo que dava a impressão de que se você olhasse muito, iria se afogar neles. Lopie pensou um pouco sobre o convite que ele acabara de fazer. Uma bebida não faria mal a ninguém e mesmo se fizesse, quem se importa?
- Claro. Por que não? - Respondeu, fazendo um gesto com a mão, pedindo para ele sentar na mesa junto á ela. - E eu posso saber o seu nome?
Henry sentou-se ao lado da mulher e deu de ombros quando ela perguntou seu nome. - Só se eu puder saber o seu. - Respondeu, com um ligeiro sorriso no rosto. Pediu à garçonete que lhes trouxessem duas bebidas, deixando-as sobre a escolha de sua companhia. O ambiente estava cada vez mais barulhento, a medida que os piratas chegavam. O cheiro de bebida misturava-se com o cheiro do mar, enquanto bêbados cantavam e dançavam, brigavam e discutiam. Misturados no salão, viam-se alguns camponeses e prostitutas. Henry não deu a minima, apenas esperando a garçonete retornar. Foi quando notou um homem bêbado aproximando-se. Não sabia o que ele iria fazer, porém decidiu que ficaria atento.
Eu estava estupefata. Um menino, em meus aposentos e eu estava vestida daquela forma. Eu não conseguia assimilar tanta informação para uma mente como a minha.Notei pelo rosto dele e pela respiração ofegante, estaria fugindo de algo? Uma menina de classe social como a minha gritaria mas, eu não ligava para nada, não era como meus pais adotivos.Eu falei -Sou Amy.Amy Pond.- e fitei o menino por algum tempo, vi que ele estava cansado e eu tinha um copo com água e vi que ele estava precisando.Mas, apos aquele ”presente” que dei a ele, não sabia o que fazer, apenas falei -Desculpe, eu não lhe conheço muito bem, mas vejo que sua respiração ainda esta ofegante, pode passar a noite aqui, mas terá de ser aqui, pois se meus pais souberem…- Eu nunca sequer tinha falado com um menino, meus pais não deixavam, eu era muito sozinha mal tinha amigos.Peguei um lençol e um travesseiro e falei a ele que dormiria no sofá, se ele quisesse.E antes que ele se deitasse eu falei -Se importaria de contar sua historia?- E abri um leve sorriso, com a esperança de construir uma amizade.
Henry agarrou o copo de água que a desconhecida oferecera-lhe e virou-o de uma vez só, sentindo o liquido gelado descer por sua garganta, saciando sua sede. Levantou-se, então. - Não posso passar a noite aqui. - Disse, dando de ombros. - Mas obrigado pela água. O que acontece é que tenho assuntos na vila para tratar. - Tornou a dar de ombros. Talvez os assuntos pudessem esperar. Não sabia ao certo se achava seguro ficar ali, com uma menina desconhecida e rica, em sua casa. Decidiu, então, que partiria assim que ela adormecesse. Pegou o travesseiro que lhe oferecia e deitou no pequeno sofá do aposento. A ruiva perguntou-lhe se podia contar uma história, um sorriso pairava em seu rosto. Henry apenas deu de ombros e tornou a levantar-se, fechando a porta de vidro da sacada, que outrora deixara aberta, e voltou-se a se sentar. - Não conheço nenhuma boa história. - Arqueou as sobrancelhas. - E creio que você já está bem grande para ouvir uma, não acha? - Scarr, na verdade, sempre odiara histórias. Deu de ombros. - Ainda não me disse seu nome. - Ele soltou um meio sorriso.
Henry corria quando parou em um beco escuro, no final de uma ruela. O peito subia e descia rapidamente, conforme sua respiração. Ele estava alerta e em fuga. Apoiou as costas contra a parede e colocou as mãos sobre os joelhos, dando uma pausa para retomar o fôlego. “Scarr, você já deve dias melhores.” pensou consigo mesmo, amaldiçoando-se. Espiou a ruela, atrevendo-se a colocar o pé novamente na rua. Não estava com medo, apenas apreensivo. Ou isso dizia pra si mesmo. Passou as mãos pelos cabelos e bagunçou-os. Deu um suspiro e voltou a descer a ruela, dessa vez um passo rápido, sem correr. Conseguiu atravessar algumas ruas quando tornou a escutar pelo homem que chamava enfurecidamente seu nome. Ele estava mais próximo e havia avistado Henry. O pirata voltou a correr o mais rápido que podia, porém não era o suficiente. Viu o grandalhão aproximar-se e esbravejar contra ele. Gritava que queria o dinheiro de volta, dinheiro que o ladrão Scarr havia roubado. Henry correu ainda mais e mais e mais, até o final da rua. Foi então que viu-se sem saída.
O fim da rua era uma casa com grandes portões de ferro e muros construídos com blocos de pedra maciça. O pirata não pensou duas vezes ao agarrar as barras e pular para dentro da propriedade, sem nem mesmo olhar para trás. A moradia tinha dois andares e era luxuosa, digna de alguém muito rico. Henry escalou uma parede até chegar a sacada do segundo andar. Pulou-a num piscar de olhos e checou se a porta de vidro estava aberta. Empurrou-a de leve e esta abriu, produzindo um estalido. Entrou, então, no quarto da desconhecida.
A luz da vela queimava leve na cabeceira da cama, deixando o ar com odor adocicado de lavanda. Henry sentou-se sobre uma cadeira e retomou o fôlego, escutando os gritos que cessavam ao lado de fora da casa. Seu corpo estava cansado e rijo, os braços doíam, assim como as pernas. Estava exausto. Levantou os olhos para cama. Foi quando a viu. Uma menina de cabelos um tanto desgrenhados, usando uma camisola e olhando-o com os olhos arregalados. Henry levantou-se em um pulo e tampou seus lábios com a mão antes que ela gritasse. - Shhh, não. - Ele disse, fitando seus olhos. A luz da vela bruxuleava na parede, deixando o ambiente ainda mais assustador. - Não grite, eu não vim te fazer mal. - Ele disse. Não podia ser pego. A menina não podia gritar. Ele encarou-a firmemente e perguntou: - Prometa para mim que não vai gritar? Prometa e eu deixarei que você fale. - A menina, com os olhos ainda arregalados, assentiu. Henry tirou a mão de seu rosto e voltou a sentar-se na cadeira, ainda desconfiado. - Desculpe-me por isso. - Murmurou. - Sou Henry, Henry Scarr.
A noite fria trazia consigo o sereno. O vento gelado cortava os ossos de Henry enquanto ele caminhava em direção à taverna perto do porto, onde costumavam ficar os piratas. Tinha esperança de arrumar uma tripulação, quem sabe até beber um pouco e comprar uma boa vadia com quem pudesse passar a noite. Amaldiçoou-se, então. Não tinha mais do que algumas moedas no bolso, o que lhe era suficiente apenas para uma bebida. Deu de ombros e seguiu pela rua mal-cheirosa. Parou diante da porta de madeira e empurrou-a. O som da algazarra logo alcançou seus ouvidos, assim como o calor de dentro do local. Não pode evitar um sorriso ao ver todos aqueles piratas juntos, num mesmo bar. Lembrou-se de seu pai, de sua antiga tripulação. Deu de ombros e entrou.
Escolheu um lugar no bar, onde pediu um conhaque e tomou alguns goles. Um par de homens brigavam por uma prostituta num canto da taverna, enquanto outros brindavam por um saque bem sucedido numa ilha vizinha. O ambiente era pouco limpo, porém acolhedor. Sentia-se em casa. Henry deu mais um gole em sua bebida e tornou a observar o bar. Foi quando a viu.
Sentada, ao fundo do bar, havia uma mulher de cabelos louros. Os olhos azuis, distinguíveis até de longe, encaravam-o. Henry virou o resto de sua bebida e bateu o copo na madeira suja e gasta do balcão. Levantou-se e caminhou até a pirata no fundo do bar, que continuava sentada. Parou diante dela e fez uma leve mesura. - Mademoiselle. - Disse com um meio sorriso no rosto. A mulher era ainda mais bela de perto. - Aceitaria me acompanhar para uma bebida?
Eu estava naquela ruela escondida e trocando minhas roupas, aquele jovem pirata disse que me encontraria na embarcação. A caminho do pier vi piratas saqueando lojas. Vi alguns pegando em mulheres e um pirata levando acorrentada a minha vizinha. Andei com medo, tremia e vi que dois piratas me olhavam. Se eu quisesse aventuras não poderia ter medo.Mas, por precaução virei em uma outra rua pequena.Peguei no meu chapéu e estava mais tranquila ate que vi um ser humano parado em minha frente.Adquiri novamente aquele olhar de assustada.
Aportáramos num porto qualquer, prontos para o saque. Eu havia descido do navio e roubado algumas das hospedarias quando entrei numa ruela. Deparei-me com uma pirata e fitei-a, intrigado. Ela tremia e parecia um tanto assustada. - Você está bem? - Perguntei-lhe. Não sabia quem era e nunca havia visto-a entre a tripulação, afinal, sem sombra de duvida, lembraria-me de seus cabelos vermelhos. As roupas que usava eram dignas de uma pirata, porém agia como uma camponesa qualquer. - Qual é o seu nome? Você está na tripulação que anda fazendo o saque? - Fitei-lhe de baixo a cima. - Você sequer é uma pirata? - A mulher parecia à espera de alguém, talvez um marujo. Talvez estivesse sendo raptada para dentro de algum navio. Dei de ombros. - Você pode me acompanhar ou ficar aqui, garota. - Passei meus olhos pela ruela vazia que dava no porto. Podia escutar os gritos apavorados de mulheres pela cidade, soltei um sorriso. - Olhe, se quiser posso te levar ao navio. Precisamos de tripulantes. Se deixa-la aqui, sozinha, provavelmente vai acabar perdendo sua cabeça. - Dei um suspiro. - Temos que correr, venha. Logo o saque acaba e temos de partir. - Estique-lhe uma de minhas pálidas mãos. - Diria-lhe para confiar em mim, porém não sou digno. Você vem se quiser, não garantirei-lhe segurança, mas posso afirmar que será morta se continuar aqui. - Soltei um meio sorriso. - Então, o que acha? Vai ou fica?
Pensei “que menino canalha”.Estendi minha mão acho que ele entendeu como um sim.Era a unica maneira de eu me salvar.Eu não poderia falar uma palavra sequer com ele a não ser que ele me perguntasse algo.Ele era bonito, infelizmente o menino com a aparência de meus sonhos.Eu o observei enquanto andava, era realmente o menino com que sonhava? Mas aquela atitude…rapidamente notei que ele me olhou e virei o rosto.Com vergonha e com muito medo.
Chegamos ao navio rapidamente. A mulher parecia amedrontada. Disse-lhe que ficaria tudo bem e que Dunk não se importaria com sua presença no navio. Levei-a a minha cabine e apontei para a segunda cama em meu aposento. Tinha estado ali desde que eu entrara para a tripulação, inabitada. - Você fica ali até arranjarmos um lugar à você amanha. - Disse-lhe. Sentei-me em minha cama e puxei o baú que jazia debaixo dela. Abri-o e despejei o ouro roubado. Levantei e me espreguicei, seguindo em direção ao armário embolorado no qual guardava minhas roupas. Saquei um garrafa de rum e virei-a na boca, sentindo o gosto amargo da bebida. A menina sentara-se sobre a cama em que dormiria aquela noite. Coloquei-me ao seu lado e dei mais um gole na garrafa. Sorri-lhe torto e peguei uma de suas mãos, lascando um beijo. - Sou Henry Scarr, mademoiselle. - Sentei-me ao seu lado e estendi-lhe o rum. - O que acha de uma bebida?
Eu estava naquela ruela escondida e trocando minhas roupas, aquele jovem pirata disse que me encontraria na embarcação. A caminho do pier vi piratas saqueando lojas. Vi alguns pegando em mulheres e um pirata levando acorrentada a minha vizinha. Andei com medo, tremia e vi que dois piratas me olhavam. Se eu quisesse aventuras não poderia ter medo.Mas, por precaução virei em uma outra rua pequena.Peguei no meu chapéu e estava mais tranquila ate que vi um ser humano parado em minha frente.Adquiri novamente aquele olhar de assustada.
Aportáramos num porto qualquer, prontos para o saque. Eu havia descido do navio e roubado algumas das hospedarias quando entrei numa ruela. Deparei-me com uma pirata e fitei-a, intrigado. Ela tremia e parecia um tanto assustada. - Você está bem? - Perguntei-lhe. Não sabia quem era e nunca havia visto-a entre a tripulação, afinal, sem sombra de duvida, lembraria-me de seus cabelos vermelhos. As roupas que usava eram dignas de uma pirata, porém agia como uma camponesa qualquer. - Qual é o seu nome? Você está na tripulação que anda fazendo o saque? - Fitei-lhe de baixo a cima. - Você sequer é uma pirata? - A mulher parecia à espera de alguém, talvez um marujo. Talvez estivesse sendo raptada para dentro de algum navio. Dei de ombros. - Você pode me acompanhar ou ficar aqui, garota. - Passei meus olhos pela ruela vazia que dava no porto. Podia escutar os gritos apavorados de mulheres pela cidade, soltei um sorriso. - Olhe, se quiser posso te levar ao navio. Precisamos de tripulantes. Se deixa-la aqui, sozinha, provavelmente vai acabar perdendo sua cabeça. - Dei um suspiro. - Temos que correr, venha. Logo o saque acaba e temos de partir. - Estique-lhe uma de minhas pálidas mãos. - Diria-lhe para confiar em mim, porém não sou digno. Você vem se quiser, não garantirei-lhe segurança, mas posso afirmar que será morta se continuar aqui. - Soltei um meio sorriso. - Então, o que acha? Vai ou fica?
Pondero por alguns instantes e analiso o rapaz cuidadosamente com o olhar. Não havia vestígios de mentira em seu tom de voz, muito menos em seu olhar que permanecia firme. Mesmo assim, dou um passo a frente e desfiro um tapa em seu rosto. Vejo a agitação da tripulação restante na parte inferior do navio, mas volto um passo para trás. - Eu acredito em você. - Digo, olhando-o meio desdenhoso, observando sua reação. - Mas não pense que eu te perdoei. Era sua obrigação saber desse pequeno detalhe assim que entrou para a tripulação. Tolero muitas coisas nesse navio, mas não isso. - Me afasto mais um pouco. - Não me dê motivos para me desfazer de você, Henry.
Dunk deu um passo a frente e eu pude prever seu movimento, porém nada fiz para evitar o tapa que seguiu. Uma dor cruzou meu rosto, contudo permaneci imóvel. O gosto metálico do sangue pairava em minha boca, afinal, havia mordido minha língua. Engoli. Pensei, então, o que seria de mim caso ele descobrisse de meu envolvimento com Lopie ou com Tyra, ou até mesmo aquela vez, com Vancova. Senti-me nauseado por minha própria atitude. Decidi que apenas me daria ao luxo de sair com prostitutas. Minha atenção voltou-se para a movimentação na parte inferior e semicerrei os olhos, mordendo o maxilar. Fitei Dunk. - Não vai acontecer novamente. - Endireitei minha postura. - Isso é uma promessa, Capitão. Estou dispensado ou a algo mais que queira tratar comigo?


Henry Scarr l 17 anos l PP: Ezra Miller
Filho de um pirata e uma prostituta, Henry (também conhecido por Bloodybones, por ser um assassino a sangue frio desde seus 12 anos), foi criado no navio Queen Anne’s Revange (Vingança da Rainha Anne), por seu pai Bartholomew Scarr, o melhor amigo do capitão. Henry nunca conheceu outra vida além da pirata. Orgulha-se de seu pai e de seu nome. Um dia, enquanto trabalhava no navio, Bartholomew o chamou e disse que deveria partir, honrar o nome da família. Deu-lhe um tapa nas costas e mandou-o embora, sem nenhum tostão. Agora Henry precisa honrar seu nome e mostrar ao pai que já virou um homem, mas antes precisa fazer parte de uma tripulação.