Flashback {hamy}

Henry corria quando parou em um beco escuro, no final de uma ruela. O peito subia e descia rapidamente, conforme sua respiração. Ele estava alerta e em fuga. Apoiou as costas contra a parede e colocou as mãos sobre os joelhos, dando uma pausa para retomar o fôlego. “Scarr, você já deve dias melhores.” pensou consigo mesmo, amaldiçoando-se. Espiou a ruela, atrevendo-se a colocar o pé novamente na rua. Não estava com medo, apenas apreensivo. Ou isso dizia pra si mesmo. Passou as mãos pelos cabelos e bagunçou-os. Deu um suspiro e voltou a descer a ruela, dessa vez um passo rápido, sem correr. Conseguiu atravessar algumas ruas quando tornou a escutar pelo homem que chamava enfurecidamente seu nome. Ele estava mais próximo e havia avistado Henry. O pirata voltou a correr o mais rápido que podia, porém não era o suficiente. Viu o grandalhão aproximar-se e esbravejar contra ele. Gritava que queria o dinheiro de volta, dinheiro que o ladrão Scarr havia roubado. Henry correu ainda mais e mais e mais, até o final da rua. Foi então que viu-se sem saída.

O fim da rua era uma casa com grandes portões de ferro e muros construídos com blocos de pedra maciça. O pirata não pensou duas vezes ao agarrar as barras e pular para dentro da propriedade, sem nem mesmo olhar para trás. A moradia tinha dois andares e era luxuosa, digna de alguém muito rico. Henry escalou uma parede até chegar a sacada do segundo andar. Pulou-a num piscar de olhos e checou se a porta de vidro estava aberta. Empurrou-a de leve e esta abriu, produzindo um estalido. Entrou, então, no quarto da desconhecida.

A luz da vela queimava leve na cabeceira da cama, deixando o ar com odor adocicado de lavanda. Henry sentou-se sobre uma cadeira e retomou o fôlego, escutando os gritos que cessavam ao lado de fora da casa. Seu corpo estava cansado e rijo, os braços doíam, assim como as pernas. Estava exausto. Levantou os olhos para cama. Foi quando a viu. Uma menina de cabelos um tanto desgrenhados, usando uma camisola e olhando-o com os olhos arregalados. Henry levantou-se em um pulo e tampou seus lábios com a mão antes que ela gritasse. - Shhh, não. - Ele disse, fitando seus olhos. A luz da vela bruxuleava na parede, deixando o ambiente ainda mais assustador. - Não grite, eu não vim te fazer mal. - Ele disse. Não podia ser pego. A menina não podia gritar. Ele encarou-a firmemente e perguntou: - Prometa para mim que não vai gritar? Prometa e eu deixarei que você fale. - A menina, com os olhos ainda arregalados, assentiu. Henry tirou a mão de seu rosto e voltou a sentar-se na cadeira, ainda desconfiado. - Desculpe-me por isso. - Murmurou. - Sou Henry, Henry Scarr.