Eu estava estupefata. Um menino, em meus aposentos e eu estava vestida daquela forma. Eu não conseguia assimilar tanta informação para uma mente como a minha.Notei pelo rosto dele e pela respiração ofegante, estaria fugindo de algo? Uma menina de classe social como a minha gritaria mas, eu não ligava para nada, não era como meus pais adotivos.Eu falei -Sou Amy.Amy Pond.- e fitei o menino por algum tempo, vi que ele estava cansado e eu tinha um copo com água e vi que ele estava precisando.Mas, apos aquele ”presente” que dei a ele, não sabia o que fazer, apenas falei -Desculpe, eu não lhe conheço muito bem, mas vejo que sua respiração ainda esta ofegante, pode passar a noite aqui, mas terá de ser aqui, pois se meus pais souberem…- Eu nunca sequer tinha falado com um menino, meus pais não deixavam, eu era muito sozinha mal tinha amigos.Peguei um lençol e um travesseiro e falei a ele que dormiria no sofá, se ele quisesse.E antes que ele se deitasse eu falei -Se importaria de contar sua historia?- E abri um leve sorriso, com a esperança de construir uma amizade.
Henry agarrou o copo de água que a desconhecida oferecera-lhe e virou-o de uma vez só, sentindo o liquido gelado descer por sua garganta, saciando sua sede. Levantou-se, então. - Não posso passar a noite aqui. - Disse, dando de ombros. - Mas obrigado pela água. O que acontece é que tenho assuntos na vila para tratar. - Tornou a dar de ombros. Talvez os assuntos pudessem esperar. Não sabia ao certo se achava seguro ficar ali, com uma menina desconhecida e rica, em sua casa. Decidiu, então, que partiria assim que ela adormecesse. Pegou o travesseiro que lhe oferecia e deitou no pequeno sofá do aposento. A ruiva perguntou-lhe se podia contar uma história, um sorriso pairava em seu rosto. Henry apenas deu de ombros e tornou a levantar-se, fechando a porta de vidro da sacada, que outrora deixara aberta, e voltou-se a se sentar. - Não conheço nenhuma boa história. - Arqueou as sobrancelhas. - E creio que você já está bem grande para ouvir uma, não acha? - Scarr, na verdade, sempre odiara histórias. Deu de ombros. - Ainda não me disse seu nome. - Ele soltou um meio sorriso.
Henry corria quando parou em um beco escuro, no final de uma ruela. O peito subia e descia rapidamente, conforme sua respiração. Ele estava alerta e em fuga. Apoiou as costas contra a parede e colocou as mãos sobre os joelhos, dando uma pausa para retomar o fôlego. “Scarr, você já deve dias melhores.” pensou consigo mesmo, amaldiçoando-se. Espiou a ruela, atrevendo-se a colocar o pé novamente na rua. Não estava com medo, apenas apreensivo. Ou isso dizia pra si mesmo. Passou as mãos pelos cabelos e bagunçou-os. Deu um suspiro e voltou a descer a ruela, dessa vez um passo rápido, sem correr. Conseguiu atravessar algumas ruas quando tornou a escutar pelo homem que chamava enfurecidamente seu nome. Ele estava mais próximo e havia avistado Henry. O pirata voltou a correr o mais rápido que podia, porém não era o suficiente. Viu o grandalhão aproximar-se e esbravejar contra ele. Gritava que queria o dinheiro de volta, dinheiro que o ladrão Scarr havia roubado. Henry correu ainda mais e mais e mais, até o final da rua. Foi então que viu-se sem saída.
O fim da rua era uma casa com grandes portões de ferro e muros construídos com blocos de pedra maciça. O pirata não pensou duas vezes ao agarrar as barras e pular para dentro da propriedade, sem nem mesmo olhar para trás. A moradia tinha dois andares e era luxuosa, digna de alguém muito rico. Henry escalou uma parede até chegar a sacada do segundo andar. Pulou-a num piscar de olhos e checou se a porta de vidro estava aberta. Empurrou-a de leve e esta abriu, produzindo um estalido. Entrou, então, no quarto da desconhecida.
A luz da vela queimava leve na cabeceira da cama, deixando o ar com odor adocicado de lavanda. Henry sentou-se sobre uma cadeira e retomou o fôlego, escutando os gritos que cessavam ao lado de fora da casa. Seu corpo estava cansado e rijo, os braços doíam, assim como as pernas. Estava exausto. Levantou os olhos para cama. Foi quando a viu. Uma menina de cabelos um tanto desgrenhados, usando uma camisola e olhando-o com os olhos arregalados. Henry levantou-se em um pulo e tampou seus lábios com a mão antes que ela gritasse. - Shhh, não. - Ele disse, fitando seus olhos. A luz da vela bruxuleava na parede, deixando o ambiente ainda mais assustador. - Não grite, eu não vim te fazer mal. - Ele disse. Não podia ser pego. A menina não podia gritar. Ele encarou-a firmemente e perguntou: - Prometa para mim que não vai gritar? Prometa e eu deixarei que você fale. - A menina, com os olhos ainda arregalados, assentiu. Henry tirou a mão de seu rosto e voltou a sentar-se na cadeira, ainda desconfiado. - Desculpe-me por isso. - Murmurou. - Sou Henry, Henry Scarr.